terça-feira, 8 de setembro de 2015

DECISÕES PASSADAS DO GOVERNO ESTÃO COBRANDO A CONTA. E QUEM PAGA É VOCÊ

Lucas Sucena
lucas.sucena@okuscapital.com

“Pensar no passado para compreender o presente e idealizar o futuro”. Esta frase foi escrita no século V a.C, por Heródoto, um historiador grego.
Séculos e séculos depois, todos nós deveríamos utilizar esta mesma concepção demonstrada por ele, mesmo tendo sido escrita tanto tempo atrás.
Para o nosso caso, nosso cenário atual mais especificamente, antes de tentarmos “idealizar” o futuro econômico do nosso país, devemos pensar, e analisar, o passado, mais precisamente no auge da crise econômica mundial de 2008, que afetou tudo e todos. Lá, com certeza, estão as raízes da nossa atual situação.
No colapso do sistema financeiro de 2008, que teve como ponto máximo a quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers (que era quase 4 vezes maior que o maior banco privado brasileiro) e o consequente pânico em Wall Street, o Brasil abriu mão de alguns pontos chaves que eram os pilares da política econômica no país e trilhou caminhos que não eram considerados os mais tradicionais. Na época, tudo aparentou ter dado certo e a “marolinha” passou, porém a conta está vindo agora.
Desde 2008, alguns pontos que devemos considerar vieram acontecendo de forma calma, já outros vieram em uma velocidade bem maior. O problema é que, a grande maioria destes pontos, independente da velocidade que vieram, foram negativos para a economia brasileira. Desde lá, o país adotou uma postura diferente, agindo com maior intervenção na economia, agindo de maneira assistencialista, dando o peixe ao invés de ensinar como pescar, mais parecido com o socialismo. Por outro lado, estimulou o consumo de maneira desenfreada, ao melhor estilo capitalista. Como resultado, hoje vemos a falácia das contas públicas brasileiras, resultados e mais resultados negativos, real cada vez mais desvalorizado em relação ao dólar, muitas empresas perdendo seu valor de mercado dia após dia, inflação muito acima do que foi estipulado como sendo o teto da meta, taxa de juros elevadíssima, desemprego crescente, perda da renda real das famílias, entre outros diversos pontos. Como tudo na vida, estamos pagando, no presente, o preço por algumas medidas e atitudes tomadas no passado, e estamos pagando caro por tudo isso.
Infelizmente, as últimas notícias continuam não sendo boas. Não existem sinais aparentes de melhora no curto e médio prazo. Tomara que isto mude, e rápido.
Alguns chamarão este artigo de terrorismo, antipatriotismo. Outros o chamarão de exagero. Eu o classifico como realidade. Vamos esperar as cenas dos próximos capítulos da novela “Incertezas do Brasil”  


Economista, Sócio Diretor na Okus Capital Investimentos

www.okuscapital.com


Sobre o Autor:


Lucas Sucena é Economista, certificação CPA-10, assessor de investimentos certificado pela Ancord, atua no mercado financeiro desde 2012. Sócio diretor da Okus Capital, empresa que presta assessoria completa em investimentos. Também atua como palestrante e instrutor em diversos cursos sobre finanças e investimentos.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

DÓLÁR À R$4,00: ALGUÉM AINDA DUVIDA?

Autor: Lucas Sucena
lucas.sucena@okuscapital.com

Ainda na metade do ano passado, a consultoria de investimentos Empiricus, a maior do país, divulgou uma série de artigos, com o título “Fim do Brasil”, defendendo, entre outros pontos, a tese de que o dólar entraria em um movimento muito grande de alta. Nesta ocasião, ainda com a moeda americana cotada à R$2,20, eles já defendiam o investimento no câmbio.
Naquela época, já entrando na reta final da corrida presencial, a consultoria recebeu uma série de ataques, onde foram chamados de loucos, antipatrióticos, foram ameaçados por militâncias e, se isto não fosse o bastante, ainda sofreram um processo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em nome de Dilma Vana Rousseff (a decisão foi favorável à Empiricus, por 5 votos a 2).
Passados, tanto a eleição, quanto o processo no TSE e o ano de 2014, a Empiricus lançou outra série de artigos onde ela demonstrava abertamente quais os pontos que serviam de base para a tese de que o dólar subiria tanto. Entre os principais pontos tinhamos: Inflação ficará bem acima do teto da meta, contas públicas totalmente desajustadas, enfraquecimento no mercado de trabalho interno, Petrobrás completamente destruída, Eletrobrás também destruída, indústria brasileira diminuindo a cada dia e, sem falar no problema político, que já começava a dar os primeiros sinais.
Oito meses depois, muitos dos que os chamavam de loucos e antipatrióticos, se veem hoje na obrigação de reconhecer que a empresa estava certa em suas opiniões. A Consultoria Empiricus se consolidou ainda mais no mercado financeiro brasileiro, ganhou relevância, e com isto, mídia, muitos clientes e muito dinheiro. 
O dólar, hoje cotado na casa de R$3,60, tem total condições de bater a casa dos R$4,00. Todas as “previsões” da Empiricus se mostraram verdadeiras. Deveremos fechar o ano de 2015 com a inflação entre 9,3% e 9,5% no ano. Petrobrás e Eletrobrás cada vez piores, sem falar de outras empresas. Desemprego assolando o país e a crise política cada vez maior.
Tudo isto interfere diretamente na economia e na desvalorização do real. Todos estes fatores já ligam o alerta. Agora, junte a tudo isto o fato de que estrangeiros estão cada vez mais desconfiados do Brasil. Com isto, cada vez mais, eles estão tirando os investimentos, que vem em dólar, do nosso país. Pela lei da oferta e demanda, quanto menor a oferta de dólar no país, mais raro ele fica, e com isto se valoriza ainda mais frente ao real.
Quem sabe, resolvendo a crise política que afeta o país, possamos passar por um momento de estabilidade, posteriormente voltarmos a crescer e, por consequência, valorizarmos nossa moeda frente à outras.
Podemos esperar as cenas dos próximos capítulos. Vale lembrar que as opiniões aqui expressadas não refletem uma indicação de investimento, apenas uma opinião particular.



Sobre o Autor: Lucas Sucena é Economista, certificação CPA-10, assessor de investimentos certificado pela Ancord, atua no mercado financeiro desde 2012. Sócio diretor da Okus Capital, empresa que presta assessoria completa em investimentos. Também atua como palestrante e instrutor em diversos cursos sobre finanças e investimentos.