segunda-feira, 3 de agosto de 2015

BANCO CENTRAL AUMENTA SELIC PARA 14,25% AO ANO. O QUE ISTO MUDA EM NOSSAS VIDAS?

O COPOM (Comitê de Política Monetária), órgão do Banco Central, aumentou pela sétima vez consecutiva a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. Com este novo aumento, de 0,5%, a taxa chegou à 14,25% ao ano, o maior nível em 9 anos – desde agosto de 2006, quando a taxa também era de 14,25%. A projeção do órgão é que a taxa se mantenha neste patamar pelos próximos meses.
Apesar de ser muito falada nos noticiários, algumas pessoas se perguntam o que isto interfere, efetivamente, em nossas vidas. Saibam todos, que ela está presente em praticamente tudo em nosso cotidiano, desde uma simples compra no supermercado, até em seus investimentos em bancos ou corretoras. Para quem precisa tomar dinheiro emprestado, a situação é ruim. Já para os investidores, o cenário pode ser excelente.
No nosso dia a dia, em uma simples compra no mercado ou em notícias e reportagens, nos deparamos sempre com a famosa inflação. A taxa Selic é o principal instrumento de combate e controle da inflação. Assim, Selic alta, como estamos tendo hoje em dia, significa que a inflação está em um patamar muito elevado, e que as tentativas passadas do governo não estão surtindo o efeito esperado. Assim, eles vão aumentando a taxa de juros até que, em um primeiro momento, a inflação pare de crescer e, posteriormente, que ela comece  a recuar.
Outro momento em nossas vidas, onde esbarramos novamente na Selic, acontece quando necessitamos tomar dinheiro emprestado. A taxa Selic também norteia os juros dos empréstimos. Assim, um aumento na taxa de juros significa que, pegar um empréstimo, seja no banco ou financeira por exemplo, ficou mais caro. Por este motivo, os pedidos de empréstimos tendem a recuarem, diminuindo a quantidade de dinheiro nas mãos das pessoas e no mercado como um todo.
Já para quem tem investimentos, existe um fator positivo e outro negativo. Para quem investe na poupança, o cenário ficou ainda pior. Com a Selic neste patamar e inflação em alta, os investimentos na caderneta estão tendo um dos piores resultados dos 10 últimos anos. Quem investe na poupança está perdendo dinheiro, uma vez que ela rende aproximadamente 7,0% ao ano, enquanto a inflação deve fechar o ano acima de 9,0%. Já para quem tem investimentos em renda fixa, o cenário é positivo, uma vez que quase todos os investimentos deste tipo são balizados de acordo com o CDI, uma taxa de referência que segue a Selic. Aumentando a Selic, aumenta também o CDI, e a rentabilidade dos investimentos por consequência.

Para os investidores da poupança, vale a pena checar outros tipos de investimentos de renda fixa, que tem a mesma segurança e podem ter rentabilidade bem mais atrativa.

Sobre o Autor

Lucas Sucena Economista, certificação CPA-10, assessor de investimentos certificado pela Ancord, atua no mercado financeiro desde 2012. Sócio diretor da Okus Capital, empresa que presta assessoria completa em investimentos. Também atua como palestrante e instrutor em diversos cursos sobre finanças e investimentos.